A opinião do pesquisador e historiador sobre os acontecimentos do carnaval

Viradouro tem que ressurgir das cinzas!

Exatamente há vinte anos, a Unidos do Viradouro com desfile muito coeso e bem desenvolvido na avenida, conseguia conquistar, com o “enredo “ só vale o escrito”, o título de campeã do antigo grupo 1 do acesso e, assim chegar ao grupo “ especial " do carnaval carioca. Tal feito foi seguido de anos desfilando entre as principais escolas de samba do Rio de Janeiro , inclusive com um campeonato do grupo “especial” em 1997.


Mas infelizmente , nos últimos anos a escola de Niterói , vem se perdendo em problemas políticos e internos, nos quais , não quero discutir nesta coluna , pois cabe a escola resolve-los.

O que nós amantes do samba esperamos , é que a Viradouro consiga se reencontrar com sua identidade . E isto passa inevitavelmente com uma aproximação com sua história . Trazendo os baluartes , aqueles dos tempos áureos de conquistas dos carnavais niteroienses.


Fazendo isto, a vermelho e branco vai se fortalecer e travará de novo no carnaval de 2011 , os confrontos sensacionais com sua eterna rival, a querida Acadêmicos do Cubango. Só que agora esses encontros , não serão mais na Avenida Amaral Peixoto, mas sim na Marquês de Sapucaí.

foto: divulgação
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Prof. Mariano
Pesquisador e carnavalesco do carnaval de Niterói

Mangueira se redime e homenageia seus baluartes

Finalmente a direção da Mangueira teve sensibilidade suficiente para lembrar-se daqueles que construíram a história fantástica desta agremiação carnavalesca. No carnaval de 2011, fará uma justa homenagem ao centenário de nascimento do imortal Nelson Cavaquinho (à esquerda. foto) Que a meu ver, fez a poesia que mais retrata a alma mangueirense. Estou me referindo de “Folhas secas”, obra prima da música popular brasileira.
Esta atitude da diretoria tenta corrigir, em nossa opinião, uma das maiores incoerências praticadas por uma direção de escola de samba. No carnaval de 2008, a Mangueira tinha por obrigação história, homenagear os 100 anos de nascimento do seu mais ilustre fundador, o mestre Cartola (à direita foto). Pois bem, a escola optou por homenagear os 100 anos de frevo, dando impressão aos mais desavisados, se a mangueira tinha ou não laços de identidade com aquele ícone do samba carioca.
Esperamos que Mangueira faça uma brilhante homenagem a Nelson Cavaquinho, mas acima de tudo que possa com este enredo, firmar sua identidade perante, principalmente aos Mangueirenses novos, que tem que conhecer a escola através da sua velha guarda e não dos “mirabolantes enredos patrocinados” que só trazem grana para a escola, mas o afasta da sua memória e principalmente da sua comunidade.





foto: divulgação
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Prof. Mariano
Pesquisador e carnavalesco do carnaval de Niterói

Precisamos melhorar a qualidade dos nossos sambas enredo

Estamos vivendo o periodo da escolha de sambas enredo para carnaval de 2010, e com ele o momento para nós analistas e pesquisadores, refletirmos sobre a qualidade das obras daqueles que querem ter a pretensão de representar o hino de sua escola.






Escutando alguns sambas e acompanhando as disputas e apresentações nas quadras, estou muito preocupado com o que tenho escutado. É impressionante como a cada ano a qualidade do samba enredo vem caindo. Para nós existem, duas razões que podem ajudar a elucidar tal fenômeno.
A primeira é a mercantilização e banalização da escolha do enredo por parte das agremiações. Para arrecadarem uns trocados a mais, algumas escolas se sujeitam a fazerem dos seus enredos, moedas de trocas. Assim colocam na avenida temas que não conseguem se fazer entender e o que é pior, não cria no compositor uma inspiração poética, que facilite a criação de obras de qualidade.


Hoje se fala de tudo nos enredos, mas se mostra quase nada, pois os temas são superficiais e genéricos. Seus conteúdos são cheios de informações, mas carecem de qualidade que permita revelar ao compositor, um horizonte para sua criação poética.


O resultado da realidade destes enredos é a composição de sambas enredo com melodias repetidas de outros carnavais e letras que são verdadeiras, “sopas de letrinhas”, pois são cheias de palavras e informações que são jogadas no papel sem sentido algum.


Outro fator que pode explicar a queda da qualidade dos atuais sambas é a mediocretização da formação do compositor de samba enredo. Hoje qualquer um que escreve se acha poeta, sem, no entanto, ter conhecimento, sensibilidade e talento para isto. O resultado é a exibição de sambas ruins de letras e melodias.


Não estou exigindo, que ninguém faça samba como antigamente. Pois a inovação é algo intrínseco na história dos sambas enredo. Mas que apenas se respeite, a forma e a essência de verdadeiro samba enredo.


Oxalá! Que a safra de sambas enredo melhore, pois nenhum ouvindo merece escutar tanta coisa ruim numa noite só.

foto:divulgação

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Na Cadência da Bateria
"Carnaval o ano todo"

Sambas enredo de 1983: Clássicos que devem ser lembrados eternamente

Quem anda cansado de ouvir os sambas enredo atuais, com seus temas vazios, sem imaginação, melodias rápidas e pobres e com os puxadores ”Gospel”, que tremem a voz e querem aparecer mais do que o próprio samba. Deve reservar um tempo, para escutar com carinho a gravação dos sambas enredo das principais escolas de samba do Rio de Janeiro do ano 1983.

Lá você vai encontrar logo de cara, com dois clássicos: Mãe baiana mãe, das ‘‘Feras” Aloísio Machado e Bento sem braço do Império Serrano e Como era verde meu Xingu de Dico da viola, Paulinho Mocidade, Tiãozinho e Adil da Mocidade Independente de Padre Miguel.

Na composição do Império Serrano eu destaco a beleza singela mas ao mesmo tempo extraordinária da letra deste samba. Através de um subjetivismo e sensibilidade singular, os autores fazem uma linda homenagem à mulher negra afro-brasileira. Já no samba da nossa Mocidade Independente, ressalto a força rítmica deste samba e, sua letra que é um grito político contra a destruição do meio ambiente e da cultura genuinamente brasileira. Mais em termos de qualidade de samba enredo, o saudoso disco de 1983 não fica só nestes dois clássicos citados. Unidos da Ponte, E eles verão a Deus, que é uma bela poesia lírica com letra que usa e abusa de figuras de linguagem e, Beija Flor de Nilópolis com Grande constelação das estrelas negras. um samba forte e contagiante, ajudam a fazer deste álbum o melhor feito na década de 1980.
Ainda falando da qualidade dos sambas de 1983, quero fazer uma ressalva ao samba do Acadêmicos do Salgueiro. Traço e troças ele é uma composição que rompe com a estética formalista do samba tradicional, introduzindo o verso livre e a irreverência poética.
Para fechar a analise do disco de sambas enredo de 1983, quero aqui lembrar que nele tem-se o que de melhor a história dos desfiles de escola de samba pôde oferecer em termos de puxadores de samba enredo.

Nesta gravação você tem as vozes marcantes de: Quinzinho, Aroldo Melodia, Silvinho da Portela, Grilo, Sobrinho, Ney Vianna(foto), Rico Medeiros, Marcos Moran, Neguinho da Beija Flor e Flavinho Machado. Todos estes artistas abrilhantaram este trabalho com estilos próprios que respeitaram a tradição e a força do samba.








foto:divulgação
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Na Cadência da Bateria
"Carnaval o ano todo"

Paradoxo e Inovação Feminina podem Alavancar Carnaval de Niterói

Embora eu considere um paradoxo para o espírito carnavalesco, você criar uma agremiação que separa as pessoas por gênero. Isto porque, a essência do carnaval está justamente no rompimento com as regras e distinções sociais. Apesar deste paradoxo cultural, vejo que o surgimento do bloco “Saias na Folia”, pode ser um fator de inovação e incremento do carnaval de Rua de Niterói.

A idéia da politização e irreverência do bloco me agrada muito, acho que o carnaval de um modo geral está precisando disto. A coisa ficou filosoficamente muito vazia e sentimentalmente, muito triste e pesada. Carnaval não são arrepio, nem segredo, é riso, crítica e muito ritmo.


Estive conversando com a presidente do bloco Saias na folia, a nossa querida Rita Diirr e ela me confessou que sua idéia é também desfilar pelas ruas da cidade, transformando a sua agremiação num bloco de corda, isto é, claro para não misturar homens com mulheres. Acho muito bom se isto acontecer, pois considero que estamos precisando de agremiações carnavalescas que elabore e aprimoram a nossa cultura popular, e não a banalize e descaracterize como vem fazendo muitas escolas e blocos.



Vamos esperar que o charme, a beleza e principalmente a inteligência feminina, traga um novo ânimo popular e político para o carnaval de Niterói.







Avante meninas!


foto: divulgação

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Prof. Mariano
Pesquisador e carnavalesco do carnaval de Niterói

Os 100 anos da Estrela do Império Serrano, Mano Décio da Viola

Se fosse vivo, Mano Décio da Viola teria completado no último dia quatorze, 100 anos de idade.
Nada mais justo, portanto, de rendermos uma homenagem nesta coluna a este baiano de alma carioca, que tanto fez pelo samba e pelo carnaval do Rio de Janeiro.
Vamos recordar um pouco à trajetória e o sucesso deste compositor negro, que lotou com muita dignidade contra o destino que a sociedade de classes lhe impôs.
Vindo para o Rio de Janeiro ainda bebê, Mano Décio teve uma infância muito dura, do ponto de vista social, mas desde o inicio o samba e o carnaval já reservavam a este talento, um destino de vitória e consagração.


Nas décadas de 20 e 30, mano Décio peregrinou por vários morros cariocas, freqüentando várias agremiações carnavalescas importantes do Rio de Janeiro como: Rancho Príncipe das Matas do Morro da Mangueira e a Escola de Samba Recreio de Ramos.
Mas foi em Madureira que brilhou a estrela a estrela de Mano Décio, primeiro como Admirador dos desfiles da Prazer da Serrinha. No inicio dos anos 40 e depois, como componente da escola e um dos revolucionários, que iria romper com a gestão centralizadora e capitalista do presidente Alfredo Costa, que cobrava ingresso do sambista freqüentador da escola.


Em 1946, Mano Décio da viola e Silas de oliveira compuseram para o desfile da Prazer da Serrinha um samba cuja letra interpretava o enredo da agremiação. Os dois compositores criaram o que mais tarde se convencionou a chamar de samba enredo. Até então, a música do carnaval não tinha a ver com a narrativa que o desfile apresentava através das fantasias e estandartes. A Prazer da Serrinha estava pronta para fazer história no desfile das escolas de samba daquele ano. Contudo, um pouco antes de começar o desfile, o presidente da escola decidiu vetar o samba e colocar uma canção simples no lugar.



Mano Décio da viola, Silas de Oliveira, Aniceto Menezes e Sebastião de Oliveira, o molequinho sob a proteção do pai de santo Mano Elói, fundaram em 23 de março de 1947 o Grêmio Recreativo Escola de Samba Império Serrano.
O primeiro samba campeão de Mano Décio foi “Exaltação a Tiradentes”, de 1949, que criou em parceria com Estanislau Silva e Penteado e com a ajudar da filha, que emprestou o livro escolar para auxiliá-lo. Esse samba foi gravado para o carnaval de 1955 como “Tiradentes”, configurando-se como o primeiro registro histórico de samba enredo.



Exaltação a Tiradentes (1949)
Império Serrano (RJ)
Composição: Mano Décio, Estanislau Silva e Penteado


EXALTAÇÃO A TIRADENTES

Joaquim José da Silva Xavier
Morreu a 21 de abril
Pela Independência do Brasil
Foi traído e não traiu jamais
A Inconfidência de Minas Gerais

Joaquim José da Silva Xavier
Era o nome de Tiradentes
Foi sacrificado pela nossa liberdade
Este grande herói
Pra sempre há de ser lembrado


Portanto lembrar-se de Mano Décio da viola é recordar um capítulo importantíssimo da história dos desfiles das escolas de samba. Capítulo que trás o germe do rompimento e da inovação, marcas fundamentais no caminhar do samba.


foto: divulgação
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Prof. Mariano
Pesquisador e carnavalesco do carnaval de Niterói

Fernando Pinto: Precursor do carnaval Virtual

Ao assistir aos desfiles das escolas de samba virtuais, me lembrei do saudoso carnavalesco Fernando Pinto. E também veio na memória, seu carnaval de 1985 na Mocidade Independente de Padre Miguel. Naquele ano Fernando Pinto escolheu como enredo para escola da vila vintém, o tema "Ziriguidum 2001"Um carnaval nas estrelas.






Se pararmos para vermos de novo aquele deslumbrante desfile, chegaremos à conclusão que genial carnavalesco pernambucano, dentro da sua clara vidência foi precursor do carnaval virtual e, o tornou possível não na tela do computador ou na do cinema, mas sim na cabeça e nos pés da comunidade de Padre Miguel. Foi ela que brilhantemente materializou aquele carnaval futurista, ou como queiram virtual na Marquês de Sapucaí.
Ziriguidum 2001, inspirado no cinema cientifico, mostrou que a idéia de virtualidade não ocorre apenas na tela do computador ou na da pintura como fizeram os surrealistas, ela também pode está ali, no asfalto, como no caso do carnaval da Mocidade em 1985.
Fernando Pinto (foto) transformou sua utopia de levar o carnaval para as estrelas, para o futuro, em realidade virtual. Pois, embora o artista tenha criado toda uma existência entre sua utopia e a realidade objetiva, nem a Mocidade e tão pouco o público estavam, nas estrelas ou no ano de 2001, mas sim, na Marquês de Sapucaí e no ano 1985.
Por tanto este desfile, teve um caráter virtual, pois sua existência e realização foram apenas aparentes, apesar de termos a sensação de serem reais e verdadeiros.


Ouça o aúdio do Desfile da Mocidade de 1985 (ao vivo):



foto: divulgação
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Prof. Mariano
Pesquisador e carnavalesco do carnaval de Niterói